Um drama sobrenatural adolescente com muita originalidade.
Sinopse: Em Espíritos na Escola, a adolescente Maddie Nears (Peyton List) desperta no porão de sua escola, Split River High, apenas para descobrir que está morta e presa no limbo da vida após a morte. Lá, ela se junta a um grupo de apoio formado por estudantes que faleceram na escola ao longo dos últimos 100 anos. Diferentemente dos outros, Maddie não possui lembranças de como morreu e, intrigada, decide investigar seu próprio desaparecimento. No mundo dos vivos, sua ausência é sentida por amigos e familiares que ainda têm esperança de encontrá-la. Enquanto observa as reações daqueles que deixou para trás, Maddie utiliza sua habilidade única de se comunicar com os vivos para desvendar o mistério de sua morte.
Espíritos na Escola chegou sem fazer muito barulho e conquistou seu espaço com uma proposta que parecia simples demais para funcionar: e se uma adolescente morta ficasse presa no purgatório da própria escola? O que poderia facilmente se tornar uma série de terror juvenil descartável revelou-se algo bem mais cuidadoso, uma história sobre luto, identidade e os fantasmas emocionais que todos carregamos na adolescência.
A Paramount+ encontrou nesta série um equilíbrio raro entre o sobrenatural e o humano, e é esse equilíbrio que mantém a série relevante temporada após temporada. O colégio Split River é estranho, assustadora e, de alguma forma, reconfortante.

A nossa protagonista Maddie está morta, presa em um limbo escolar junto a outros fantasmas de décadas diferentes, enquanto no mundo dos vivos todos tentam descobrir o que aconteceu com ela. A série funciona simultaneamente como mistério, drama adolescente e comédia sobrenatural, sem que nenhum desses elementos sufoque os outros. Peyton List âncora tudo com uma performance que equilibra vulnerabilidade e determinação.
A dinâmica entre Maddie e Janet, uma estudante dos anos cinquenta, eleva as exigências sobre a atriz principal, que responde à altura interpretando essencialmente duas pessoas ao mesmo tempo. Os mistérios sobre a natureza do purgatório escolar se expandem, e a série começa a revelar que as regras do além são mais complexas e perturbadoras do que pareciam. O final deixa tudo de cabeça para baixo.
Em sua terceira temporada a série aproveita para explorar novos aspectos de personagens já conhecidos e introduzir ameaças mais sombrias, sinalizando uma maturidade narrativa que as temporadas anteriores apenas ensaiavam. O tom geral da série se escurece progressivamente sem perder o coração que a define. O humor permanece, mas agora divide espaço com um horror mais visceral e uma exploração mais honesta de temas como luto, ansiedade e a dor de se sentir invisível. ao universo do terror clássico, e sua presença ajuda a consolidar a mudança tonal sem que a série perca a doçura que a distingue das produções do gênero.

O maior trunfo da série ao longo de todas as temporadas é a química entre seus personagens. Não apenas entre Maddie e Simon, cuja amizade é o eixo emocional de tudo, mas também entre os fantasmas que habitam o purgatório escolar há décadas. Wally, Rhonda, Charley e os demais não são apenas apoio cômico, são personagens com histórias próprias, traumas reais e uma vontade genuína de serem vistos.
Espíritos na Escola não é uma série perfeita. Algumas decisões narrativas enfraquecem a lógica interna que ela mesma estabelece, e há momentos em que o excesso de subtramas ameaça dispersar o foco. Mas raras vezes uma série adolescente consegue ser simultaneamente engraçada, original, assustadora e genuinamente emocionante, sem que pareça forçado.
Ela entende que o verdadeiro horror da adolescência não está nos monstros, mas em crescer, e que às vezes é preciso morrer um pouco para descobrir quem você realmente é.
Espíritos na Escola está disponivel no Paramount+.
Nota: 4/5