No último domingo (22), enquanto BLG e G2 disputavam o título do First Stand (FST) na Riot Games Arena, o público paulistano teve sua própria dose de Summoner’s Rift no Visualfarm Gymnasium. A Runeterra Fan Fest transformou o icônico galpão em Campos Elíseos em um reduto de Demacia, unindo tecnologia, comunidade e a paixão fervorosa do torcedor brasileiro.
Experiência de Jogo
O evento apresentou um número razoável de público, ocupando bem o espaço do galpão, que foi dividido em estações temáticas. No centro das atenções, uma arena dedicada exclusivamente ao gameplay permitiu que os fãs testarem suas habilidades no Wild Rift, TFT e no clássico LoL de PC. O grande destaque, porém, ficou para as máquinas de fliperama do 2XKO, o aguardado jogo de luta da Riot, que manteve filas constantes de jogadores curiosos.
O Passaporte de Demacia e as Recompensas
Para incentivar a exploração total do evento, a Riot implementou o Passaporte de Demacia. Cada visitante recebia o livreto na entrada e precisava coletar carimbos em diferentes ambientes para se tornar elegível ao sorteio especial do First Stand.A jornada era composta por:
- Visitar um artista no Artist ‘s Alley: um espaço vibrante com artes variadas de criadores independentes, reforçando o talento da comunidade brasileira.
- Participar de duas das três ativações compostas por Smite the Baron, um Quiz ou Hit the minion que garantia as risadas uma vez que você deveria acertar o botão que acende em uma parede iluminada.
- Participar de uma gameplay de ao menos um dos jogos disponíveis da franquia dentro da arena.
E assim, era possível apresentar o passaporte completo para retirada de um brinde.
Encontro de Ídolos: Do Meet & Greet à Dublagem
A Fan Fest não foi apenas sobre telas. O contato humano foi o ponto alto para muitos, com sessões de Meet & Greet que reuniram desde o elenco da LOUD até desenvolvedores globais da Riot Games e cosplayers de altíssimo nível. Para coroar a experiência, a presença de vozes icônicas trouxe o jogo para a vida real. Tive a oportunidade de conversar com Alex Barone e Alessandra Merz, os responsáveis pelas vozes de Jarvan IV e Shyvana em português, que falaram sobre o legado de seus personagens e os desafios técnicos da dublagem de elite.
[Pergunta ao Alex Barone]
Alex, o Jarvan IV é um personagem que passou por uma transição de voz marcante na localização brasileira. Quando você assumiu o papel, como foi o processo de reconstruir esse trabalho do zero para trazer a sua própria nuance e interpretação, respeitando o que o novo momento do jogo exigia?
[Resposta]
A voz anterior do Jarvan era de um outro dublador e quando eu cheguei a gente teve que regravar e começar um novo trabalho de acordo com o que estava acontecendo naquele momento. Então por isso talvez a diferença. Realmente dá outra nuance outra interpretação porque, ainda bem, o trabalho de dublagem, de localização é muito individual. É muito também do diretor ali que tá trazendo pra gente essa realidade. É claro que do começo de quando eu comecei a gravar pra hoje existem algumas diferenças por conta da liberdade do personagem mas essa transição em específico é porque era a voz de um outro colega e eu comecei um trabalho a partir dali.
[Pergunta ao Alessandra Merz]
Alessandra, você dubla a Shyvana desde o início e permaneceu após o rework (vitória nossa!). Como foi o desafio de regravar o pacote de falas e o que que na sua percepção mudou na personalidade vocal da personagem entre a primeira versão e essa mais atual?
[Resposta]
Eu acho que essa diferença de voz ela mostra exatamente a evolução da personagem e todas as modificações que foram consideradas. O que eu tentei fazer era deixar a essência dela, mas acompanhar essa evolução. Porque senão não teria modificação nenhuma. Eu precisava que ela tivesse mais força, que ela fosse mais presente, que a parte humana dela ficasse mais presente ainda e foi um desafio. Foi um desafio grande porque foi um desafio comigo mesma. Refazer algo que eu já tinha feito e ter que modificar de acordo com a evolução da personagem. Isso é mágico e muito bom!
[Pergunta]
Você transita ainda entre animes, séries, filmes e produções audiovisuais. Na hora de gravar a localização de games, qual é a mudança de chavinha técnica que você precisa fazer? Como construir a alma de um personagem às vezes até sem o apoio visual com a cena pronta?
[Alex]
Você já deu a grande caminhada da localização de game. O desafio é a gravação sem ver o personagem. Você vê a boquinha dele ali, e depois você vê, em alguns casos, né, como fica depois. Mas a dificuldade é essa! Você imprimir tudo que precisa ser impresso naquele momento, baseado na voz e na orientação do diretor, e também na qualidade técnica do técnico que tá ali captando a tua voz. Esse é o grande desafio na localização de game, é justamente o que você falou, a base do áudio. E tem a mágica também de você conseguir idealizar isso na sua cabeça.
[Alessandra]
A gente tá falando de 95% das vezes, não temos esse apoio visual. Então o incrível da localização é exatamente isso. Que tipo de voz eu vou dar a algo que é humano e é dragão. Tá muito próximo de mim e ao mesmo tempo, é magia. Como que eu vou trazer sem que eu tenha a ideia, né?! E aí é entender, como ela se comporta, o que ela sente, o que ela traz da história dela pra o que ela realiza. Então é como eu falo, localização de game é um desafio e depois que a gente consegue enxergar tudo junto fala: ‘meu deus que maravilha, ficou muito legal’. Mas eu acho que o principal é isso, conseguir identificar, o que o personagem quer trazer, com que carga emocional ele traz. E aí é pegar!
[Pergunta]
O Runeterra fan fest é um evento de encontro da comunidade emergindo dentro dos jogos do mundo Riot. Como que é pra você encontrar os fãs de perto nos eventos e se alguma interação surpreendeu você?
[Alex]
O lance do ao vivo de tá perto da galera, é muito legal. Porque normalmente essa interação é feita pela pela rede social. Sempre alguém chega e fala ai você fez tal voz ou pra um anime, localização para um game. Isso já é legal, muito gostoso. Agora quando você tá ao vivo, conversando e falando sobre aquilo, caramba, essa galera que gosta existe mesmo! Tá aqui! E a gente que às vezes tá num dia de trabalho normal e aí você vê que aquele dia de trabalho foi mágico e que mudou a vida de outra pessoa. Receber essa energia, esse carinho ao vivo, é muito legal, muito gostoso.
[Alessandra]
A gente poder conviver no mundo é mágico realmente, porque a gente sabe que pra cada pessoa que tá aqui há uma importância às vezes por um personagem, por outro, normalmente pelo contexto geral. Então tá perto é maravilhoso eu me sinto dentro do game toda vez eu digo isso. Sabe quando você tá lá fora e põe o pé dentro, entrou pra outro mundo. Abriu um portal e começou uma nova vida! É muito legal, eu amo de paixão e acho que é muito importante essa comunicação entre um lado e outro. É muito legal isso, a Riot está de parabéns.