Festival Obon: homenageando os ancestrais

Hoje nós iremos falar sobre um importante tradição Budista chamada de Obon (お盆) ou Bon (盆), que se assemelha ao que conhecemos aqui no Brasil como o Dia de Finados. Nessa tradição, as pessoas creem que os espíritos de seus ancestrais voltam para suas casas para se reunir com sua família. Devido a isso, a data é um momento em que as famílias se reúnem ou retornam para suas cidades natais.

Anteriormente, o Obon em qualquer lugar era comemorado no dia 15 de julho; hoje em dia, ele é comemorado em diferentes datas. Mas, em boa parte das regiões, o Obon é celebrado no mês de agosto.  Entre seus rituais mais tradicionais, está a limpeza dos túmulos e as oferendas de frutas e verduras nos altares da casa. Lanternas com o símbolo da família são colocadas nos túmulos para que iluminem o caminho das almas. O último dia é o dia da despedida, conhecido como tōrō nagashi, um ritual em que lanternas flutuantes são lançadas sobre as águas dos rios para indicar o caminho de volta, como podem ver no vídeo a seguir:

Origem

Mokuren era, segundo a tradição budista, um monge que se destacava muito em suas habilidades espirituais, podendo viajar entre as dimensões espirituais. Por curiosidade, ele quis encontrar o lugar de descanso de sua finada mãe e esperava encontrá-la junto a Buda, mas surpreendentemente a encontrou num lugar conhecido como Gaki ou o Reino dos Mortos Famintos de Rokugan. É um reino de punição para as almas que não podem se satisfazer na vida: os gananciosos, os lascivos, os glutões e os famintos por poder. Então, para tirá-la da penúria em que estava, Mokuren decidiu buscar um método de purificar o espírito, e a forma encontrada resultou no Obon.

Isso me lembra uma pequena história cuja autoria desconheço, mas que gostaria de compartilhar com vocês e que resume bem o que penso como deve ser nossa postura para com as crenças que são diferentes das nossas:

Um homem colocava flores no túmulo de um parente quando viu um japonês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele vira-se para o japonês preocupado e, acreditando tratar-se aquilo de um absurdo, pergunta:

— Desculpe, mas o senhor acha mesmo que alguém virá comer esse arroz?

E o japonês responde:

— Sim, quando o seu vier cheirar as flores, o meu vem comer o arroz.

E você, já conhecia o Obon?