Witch Hat Atelier: A coroa da fantasia enfim completa

Imagem promocional Witch Hat Atelier

Entre as distintas discussões no Reddit, alguns usuários cunharam o termo “Coroa da fantasia moderna nos animes”. Esse termo refere-se a três animes de fantasia que ganharam notoriedade nos últimos 5 anos. O grupo inclui Dungeon Meshi, Ousama Ranking (Ranking of Kings) e o estreante Tongari Boushi no Atelier, este último é mais conhecido no ocidente como Witch Hat Atelier.

Witch Hat Atelier é um mangá escrito por Kamome Shirohama. Nele, acompanhamos a história de Coco, uma jovem que se encanta com a magia desde cedo. Nesse mundo, a magia é uma habilidade restrita, apenas os bruxos têm o dom de realizá-la.

Em um determinado dia, Coco conhece um jovem bruxo chamado Qifrey. Devido a esse encontro, ela descobre um importante segredo sobre a magia e os bruxos. No entanto, um trágico acontecimento muda tudo e Qifrey não vê outra opção a não ser aceitar Coco em seu Ateliê. Assim, ele decide treiná-la para ser uma bruxa. Portanto, Witch Hat é uma história sobre uma garota que encontra o desespero e apesar disso, ela ainda encontra a esperança.

O MDA teve a honra de poder ver antecipadamente a estreia de Witch Hat Atelier e agora é hora de discorrer sobre as primeiras impressões do anime.

Imagem promocional Witch Hat Atelier
©Kamome Shirahama/KODANSHA/ Witch Hat Atelier Committee

O conto de fadas da Magia

Kamome Shirohama sabe retratar a magia de uma forma racional. Ao mesmo tempo, ela cria uma aura de encanto no universo de Tongari Boushi.

Nesse mundo, o sistema de magia é bem definido. O modelo lembra um pouco o clássico Fullmetal Alchemist. Porém, esse pano de fundo serve para criar lendas e folclores. Esses mitos preenchem o sentimento de um conto de fadas. Afinal, todo conto de fadas é uma história sobre o místico. Ele procura trazer encanto para quem o lê.

O Visual e Animação

Precisamos falar sobre o visual do anime eu já adianto que o resultado está espetacular. Os fãs de carteirinha tinham uma preocupação recorrente: eles temiam a adaptação da arte do mangá. Afinal, Shirohama possui um estilo único em seu desenho.

Mangaká premiada, Shirohama cursou a Universidade de Artes de Tóquio e trabalhou em empresas de renome como a Marvel Comics antes da serialização de sua primeira obra animada. Seu desenho neste mangá tem um traço bem peculiar, ele nos relembra o bom estilo de mangá moderno, contudo, ele também remete ao estilo de arte clássico.

Isso ocorre em momentos de página dupla com foco nos personagens e também notamos painéis que lembram vitrais da arte gótica. Todavia, os fãs não precisam se preocupar, o time da BUG FILMS conseguiu atingir a expectativa. A equipe é liderada pelo diretor de arte Ryota Gotou, um veterano já experiente na indústria.

Eles mesclaram o 2D com cenas em CGI fazendo referência aos painéis originais da mangaká. Consequentemente, surge o sentimento de estarmos lendo um verdadeiro conto de fadas. As cenas de luta e magia também não deixam a desejar, técnicas como a rotoscopia dão o dinamismo necessário. Além disso, a coloração traz à tona um sentimento mágico, esse estilo está muito presente em filmes como O Castelo Animado.

Trilha Sonora e Som

Toda lenda é acompanhada de uma boa canção. Em Witch Hat Atelier, o padrão se mantém. O estúdio Dugout cuidou do projeto, eles são famosos pelo sound design de vários animes do momento como Jujutsu Kaisen Season 3. O diretor de som é o experiente Kisuke Koizumi.

Desta vez, o diretor teve uma visão diferente do comum, ele trouxe Yuka Kitamura para a tarefa musical. Kitamura não é um nome muito conhecido nos animes, mas sim nos videogames, ela é responsável pela trilha sonora da série Souls (Dark Souls, Elden Ring).

Yuka embarcou nessa aventura mágica e compôs a trilha do anime e essa era uma expectativa alta dos fãs. Felizmente, o desejo foi atendido com primor,  a trilha sonora se destaca ao misturar música folclórica com conceitos modernos. Assim, as trilhas criam a emoção necessária no momento certo e nos transportam para este mundo de magia e descoberta.

Além disso, Koizumi trouxe nomes de peso para a abertura e o encerramento. Temos o famoso utaite Eve, conhecido pela abertura de Jujutsu Kaisen. Também temos Suis, vocalista do duo Yorushika, ela é a voz da segunda abertura de Frieren.

Tongari no Boushi possui uma preocupação forte com a ambiência. Geralmente, não vemos isso com frequência em animes, todos os sons possuem ótima qualidade e o nível de ambiência nos faz sentir imersos na cena. Isso acontece em momentos simples, como Coco cortando um tecido, mas também ocorre quando a magia se manifesta. O som reflete fielmente o ambiente e nos imerge à obra.

Enredo e Personagens

Até o momento, vimos pouco da trama. Porém, o conteúdo já é suficiente para nos deixar intrigados. Queremos saber o destino de Coco. O mundo mágico possui uma magia racionalizável, o sistema é determinado e possui camadas políticas e morais. Assim, as bases de um enredo intrigante são construídas.

Acompanhamos o treinamento de Coco sob sua própria perspectiva. Ela não acreditava que poderia fazer magia, ao mesmo tempo em que ela busca reverter a tragédia que causou. Então,  logo nos primeiros episódios, os antagonistas são apresentados e com eles um dilema moral que será perseguido em toda a obra.

Considerações Finais

Witch Hat Atelier começou com o pé direito e já pode ser considerado uma das grandes promessas do ano. Com certeza agradará os fãs de longa data e simultaneamente, a obra se destacará para novos espectadores pelo visual excelente. Vale a pena adicionar este anime na sua lista semanal.

O anime será transmitido no Brasil pela Crunchyroll, estretando no dia 06 de abril de 2026. Já o mangá, no Brasil é publicado pela editora Panini.