Quarta temporada confirma, Industry é a melhor série da atualidade (que quase ninguém vê).
Sinopse: Um grupo de jovens recém-formados compete por um número limitado de vagas de emprego num dos principais bancos de investimento de Londres. Mas, conforme eles ingressam numa cultura corporativa definida por ego, sexo e drogas, as fronteiras entre colega, amigo, amante e inimigo logo desaparecem.
À primeira vista, Industry parece apenas mais uma série da HBO sobre ricos decadentes. Mas, diferente de produções como Succession ou The White Lotus, a trama não acompanha quem já está no topo. O foco está nos que tentam chegar lá, nós estagiários, nos jovens banqueiros que disputam espaço em um sistema brutal. Entre ambição, drogas, sexo e competição, a série retrata uma geração disposta a tudo para subir um degrau social que talvez nunca alcance.

Desde a primeira temporada, a protagonista Harper Stern se destaca como o coração caótico da narrativa. Interpretada por Myha’la, Harper é uma anti-heroína brilhante e implacável, capaz de tudo, até de explorar as fraquezas alheias para sobreviver. Sem diploma universitário e com origens modestas, ela encarna o lado mais agressivo da meritocracia. Em Industry, talento e crueldade caminham juntos e muitas vezes são indistinguíveis.
A quarta temporada amplia ainda mais o universo da série. Após os acontecimentos da 3ª temporada, os personagens se espalham por novos centros de poder financeiro e político. Harper agora lidera seu próprio fundo de investimentos, apostando contra empresas e lucrando com o fracasso das mesmas. Um gesto que sintetiza a filosofia da série: no capitalismo contemporâneo, alguém sempre precisa perder para que outro vença.

Enquanto Harper se torna cada vez mais fria e calculista, Yasmin encara outra forma de sobrevivência. Interpretada por Marisa Abela, a personagem abandona o mundo corporativo após um escândalo familiar e se casa com o aristocrata decadente Henry Muck, vivido por Kit Harington. O casamento, porém, revela-se tão tóxico quanto o mercado financeiro. A série mostra que poder e dependência muitas vezes se disfarçam de romance e status.
Um dos méritos de Industry é ampliar gradualmente seu escopo. O que começou como um drama de escritório evoluiu para uma história sobre o poder do capitalismo global. Startups financeiras, manipulação política e disputas corporativas passam a dividir espaço com os conflitos pessoais. O resultado é uma narrativa veloz, nervosa e profundamente contemporânea.

A série também se destaca pelo retrato cruel do etarismo profissional. Aqueles jovens da primeira temporada agora lidam com frustrações, traições e decisões irreversíveis. O ambiente financeiro cobra um preço alto: relações destruídas, moral corroída e identidades moldadas apenas pelo trabalho. Nesta série, ambição deixa de ser promessa e passa a soar como alerta.
Mesmo quando exagera nas cenas ou na velocidade narrativa, a série permanece hipnotizante. Criada por Mickey Down e Konrad Kay, Industry captura com precisão a ansiedade do capitalismo moderno. É um retrato ácido de uma geração que vive como se não houvesse amanhã e também de torcer pela queda dos outros.
As 4 Temporadas de Industry estão disponíveis no HBO MAX.
Nota: 5/5