A quinta temporada de Stranger Things inicia sua despedida grandiosa, familiar e emocionalmente.
Sinopse: Na quinta e última temporada de Stranger Things, o ano é 1987 e as consequências da abertura dos portais do mundo invertido obrigam o grupo de amigos a organizarem um plano para capturar e matar Vecna. O problema é que ninguém sabe o paradeiro do vilão. Enquanto isso, o governo coloca Hawkins sob quarentena militar, intensificando a busca por Eleven. Uma última batalha contra as forças sobrenaturais se aproxima, unindo velhos e novos amigos logo no aniversário do desaparecimento de Will. A conexão entre os dois mundos deve ser encerrada de uma vez por todas, destruindo a escuridão mortal e poderosa que tomou conta da cidade por anos.
A nova temporada do fenômeno da Netflix retoma a narrativa depois de três anos e meio de espera, e pareceu ter se passado num piscar de olhos. A série que desde o seu início, rapidamente restabelece seu ritmo característico, repleto de emoção, mistério e humor ácido, mostrando que não perdeu sua essência.
A ambientação com o salto temporal funciona bem, permitindo que o envelhecimento do elenco se torne parte orgânica da história enquanto a cidade de Hawkins enfrenta sua pior fase, agora sob quarentena militar.

Mesmo com a necessidade de recapitular acontecimentos e situar o público após tanto tempo, o roteiro consegue manter-se interessante, ainda que tropece em algumas exposições excessivas. Os criadores sabem que isso é inevitável e conduzem a preparação para o conflito final sem parcimônia.
Quando a série finalmente passa do seu prólogo, ela acelera o ritmo sem medo, os personagens mais experientes e emocionalmente marcados, enfrentam novas ameaças enquanto o espetáculo visual se impõe como motor das tramas paralelamente, algo que, apesar de repetitivo, continua extremamente eficaz.
O retorno à familiaridade pode soar como acomodação, mas aqui isso funciona quase como uma virtude. A série se tornou um fenômeno e conquistou milhões de fãs com essa fórmula, e entrega exatamente aquilo que o seu público espera, perseguições, tensão sobrenatural, humor pontual e a sensação constante de que tudo está prestes a desmoronar.
O visual da temporada é um dos maiores destaques, mais polido do que muitos blockbusters atuais, a série se reafirma com uma identidade estética forte, mesmo quando recorre a efeitos especiais já conhecidos. Os Demogorgons, por outro lado, começam a exibir fadiga, o excesso de uniformidade e o brilho dos efeitos cansam rápido, diminuindo o impacto que já outrora já tiveram.
Em contraste, o vilão principal Vecna permanece com uma presença magnética, sustentado pela atuação inquietante e teatral de Jamie Campbell Bower, que devolve à série uma aura de terror mais denso.

As atuações do elenco seguem sendo um dos pilares da série. Caleb McLaughlin, como Lucas, desponta como destaque, sustentando momentos dramáticos intensos enquanto carrega o luto por Max, cuja situação permanece num limbo intrigante entre a vida e a morte. Novos personagens também trazem frescor à narrativa.
Apesar da grandiosidade que a série se tornou, algumas tramas fragmentadas parecem deixar clara a dificuldade de conciliar as agendas de atores agora muito populares. Ainda assim, a série se mantém coerente com sua temática proposta, nós lembrando que crescer pode ser assustador, mas também empolgante.
À medida que a jornada de nossas crianças se aproximam do fim, Stranger Things se torna mais ousada, mais sombria e mais violenta. Os heróis e os vilões ainda guardam cartas na manga, e a sensação é de que assistimos ao início de uma despedida épica, que quando finalmente se concretizar, deixará um vazio difícil de preencher.